Até aqui, vivemos uma fase marcada pelo acúmulo de informação. Agora, o jogo mudou: não basta ter toda a informação disponível, é preciso saber o que fazer com ela, de forma estratégica e inteligente. Passamos, portanto, da Era da Informação para a Era da Inteligência.
Essa transformação já mudou até a forma como pesquisamos. Nos últimos dois anos, a Busca incorporou uma sequência de novos recursos baseados em inteligência artificial, como o Modo IA, que já ultrapassa 1 bilhão de usuários mensais e mostra um crescimento acelerado a cada trimestre1.
Ao mesmo tempo, o Gemini também ganhou escala e chegou à mesma marca de 1 bilhão de usuários ativos por mês. Com isso, o Google atingiu o maior volume de buscas de toda a sua história2.
O que vemos, especialmente no contexto do Brasil, não é só um interesse maior em pesquisar – produtos, fatos, preços, entre outros –, porque isso sempre existiu. Mas percebemos, agora, uma confiança maior na inteligência artificial como uma etapa natural antes da tomada de decisão.
Isso afeta diretamente as dinâmicas da Black Friday de 2026. Por isso, não basta tratar a data como um evento isolado, nem encarar o consumidor com o mesmo pragmatismo do passado.
O primeiro passo é mergulhar no retrato desses brasileiros e brasileiras que, muito antes da data, já se preparam e tomam suas decisões – muitas vezes, com o apoio da tecnologia.
A IA como parte da rotina do consumidor
A IA tem um impacto cada vez maior no comportamento dos consumidores quando pensamos em datas comerciais como a Black Friday.
Uma pesquisa realizada pelo Google em parceria com Ipsos revelou que 82% das pessoas já usam ferramentas de IA no dia a dia, e 57% aplicam essa tecnologia diretamente em suas jornadas de compra3. Mas não para por aí: 13% chegam a recorrer à IA em todas as etapas dessas jornadas4.
A adoção é maior justamente nas compras mais complexas ou de maior risco, como eletrônicos, eletrodomésticos e celulares, categorias em que a pesquisa e a validação de decisão pesam mais.
Além disso, quem usa IA com frequência afirma economizar até 5 horas semanais em pesquisas, tempo reinvestido, segundo os dados, para explorar outras marcas e produtos5.
Ao mesmo tempo em que a tecnologia permite uma apuração mais aprofundada em relação ao item desejado, ela facilita o processo: 77% afirmam tomar a decisão de compra mais rápido quando usam a inteligência artificial6.
Toda essa dinâmica está mudando a forma como as pessoas buscam ofertas e produtos ao longo do ano, em relação à natureza da pesquisa.
Em vez de partir de um termo fechado, como “cadeira ergonômica”, o consumidor tende a descrever situações mais completas, como objetivo da cadeira, orçamento disponível, tamanho do escritório etc.
Um exemplo disso é que as buscas feitas no Modo IA já são, em média, três vezes mais longas que as buscas tradicionais, e cerca de 1 em cada 6 buscas usa voz ou imagem7.
O que o brasileiro busca na Black Friday
Mas como o brasileiro chega à Black Friday 2026? Fomos em busca dos dados para ajudar a criar um raio-x da intenção de compra dos consumidores.
Mesmo com orçamento limitado, existe intenção de compra
51% chegam à data com mais da metade da renda mensal comprometida com contas fixas ou dívidas. Mesmo assim, 69% se dizem otimistas com a própria situação financeira para o segundo semestre, e 41% pretendem gastar mais nesta Black Friday do que no ano anterior.8.
O planejamento começa bem antes da data
48% já têm a lista de compras pronta antes do início oficial da temporada, e 44% já estão pesquisando preços e condições com antecedência. Em média, cada pessoa planeja comprar em 5,5 categorias diferentes9.
A Black Friday segue com um papel único
60% consideram a data a única do ano que realmente vale a pena planejar para comprar itens de maior valor. Datas comerciais mais recentes, como 08.08, são vistas de forma diferente: 56% enxergam essas datas como momentos de compra rápida e por impulso, não de planejamento10.
Prioridade: entre o básico e o desejo
Quando perguntadas sobre a prioridade número 1 de compra, eletrodomésticos e roupas/acessórios empatam na liderança, com 11% cada. Depois, temos celulares, com 9%; alimentos com 8%; computadores e periféricos com 7%; e TVs com 6%11.
Esse equilíbrio entre sonho de consumo e alívio no orçamento é o que as marcas precisam responder, e é aí que entra a virada de que falamos: deixar de comunicar apenas atributos de produto para resolver, de fato, uma necessidade por trás de cada prioridade.
AI GAP: um sinal para as marcas
Uma coisa importante de destacar é que, embora a familiaridade dos brasileiros com a IA seja cada vez maior, existe uma lacuna a ser superada pelas marcas – tanto para contemplar o comportamento dos consumidores quanto para preparar o negócio para o comércio agêntico que se desenha no futuro.
Esse é o AI Gap: o descompasso entre o comportamento de quem já incorporou a IA à rotina de compra e a velocidade com que empresas e e-commerces têm adaptado suas estruturas a essa nova realidade.
Na prática, esse intervalo aparece em quatro pontos:
- Busca conversacional vs. palavras-chave rígidas: muitos usuários já demonstram uma prática conversacional na hora de pesquisar algo, com frases longas, contexto pessoal, fotos e textos combinados. A maioria dos e-commerces ainda espera termos exatos e falha diante de linguagem natural, erros de digitação ou buscas por imagem.
- Personalização esperada vs. vitrine padrão: muitos clientes chegam ao site de uma marca com um pedido formulado com a ajuda da IA, com uso, orçamento e restrições definidos. A loja, no entanto, exibe a mesma vitrine padrão mostrada a todos os outros visitantes.
- Leitura por IA vs. conteúdo sem estrutura: a IA é usada para extrair fichas técnicas, comparar especificações e resumir avaliações fora do ambiente da marca. Do outro lado, o conteúdo publicado ainda é pensado só para leitura humana, sem estrutura indexável e legível para os sistemas de IA.
- Delegação a assistentes vs. processos manuais: há o desejo de manter listas prontas e delegar compras recorrentes de baixo risco a assistentes virtuais. A maioria dos e-commerces, porém, ainda exige que cada compra repetida seja refeita manualmente, item por item.
O tamanho desse desequilíbrio aparece em números: uma análise do Google Cloud, feita com 35 dos principais e-commerces do Brasil, identificou falha técnica ou de processo na jornada de compra em 18 deles durante a última Black Friday – mais da metade12.
Aqui estão três pontos que as marcas precisam levar em consideração nesta Black Friday para conseguir atingir o consumidor que tem a IA nas mãos:
- Produto → Necessidade
O ponto de partida do consumidor migrou do produto para a solução de problemas. Por isso, as marcas devem focar em resolver necessidades reais.
- Mind Share + AI Share
O sucesso exige equilibrar dois pilares: Mind Share, que abrange a conexão emocional e construção de marca; e AI Share, para tornar a marca “legível” e relevante para sistemas de IA.
- Ecossistema proprietário
Conteúdos estruturados, tanto no site da marca quanto no catálogo de produtos do Merchant Center, são essenciais para que a marca seja encontrada e recomendada neste novo ecossistema, transformando a data promocional no início de relacionamentos duradouros.
Mind share e AI share: sua marca tem esse equilíbrio?
Para entender melhor as duas frentes de que falamos, é preciso ter em mente que quem pesquisa, hoje, não busca só por um item isolado, mas a resolução de uma dor, necessidade ou desejo. Por isso, o pedido vira uma missão completa, e a oportunidade da marca está em participar dessa curadoria muito antes da oferta aparecer.
O modelo clássico, de comunicar atributos e benefícios para gerar preferência, já não é suficiente sozinho. Quem foca só nisso corre o risco de cair na saturação promocional e na corrosão de margem.
É aqui que mind share e AI share se tornam fundamentais. Uma marca pode ser lembrada pelas pessoas e, ainda assim, ficar invisível para os algoritmos na hora da recomendação. Ou pode aparecer nos resultados técnicos sem despertar conexão emocional, tornando-se apenas mais uma opção substituível por preço. Só a combinação das duas frentes forma uma marca amada pelas pessoas e recomendada pela IA.
Então, por um lado, a marca precisa ser atraente para pessoas, com textos em linguagem natural, campanhas, avaliações, conteúdo de criadores que despertam identificação. Por outro, deve ser legível para algoritmos, com especificações e dados estruturados que ajudam a indexação e a associação correta entre produto e busca.
Esse cuidado técnico já aparece em forma de resultado de negócio: varejistas que alcançam excelência nesse tipo de estruturação de dados registram, em média, 5% a mais de conversões já no mês seguinte13.
É assim que a publicidade tradicional, baseada em interrupção, cede espaço ao marketing de conversa contínua.
Vale dizer que essa preparação não se resolve às vésperas da data. A Black Friday é a data final em que se colhe uma temporada inteira de preparo, e isso não exige escolher entre bater a meta de agora e construir o negócio do futuro.
Uma meta-análise recente de eficiência de mídia no Brasil, que avaliou 12 bilhões de reais investidos, aponta nessa mesma direção: quem já opera com soluções automatizadas e baseadas em inteligência artificial colhe um ROAS 18% maior frente às operações manuais14.
A eficiência de curto prazo e a preparação de longo prazo, nesse caso, caminham juntas.
Se você quer se aprofundar nas estratégias para tirar o melhor proveito desta Black Friday, acompanhe a comunidade do Think with Google Brasil no WhatsApp.
Por lá, vamos divulgar materiais exclusivos com cases de marcas que já colocaram essa lógica em prática, de fabricantes que aceleraram a base de clientes com novas soluções de preço a parcerias entre indústria e varejo que elevaram o retorno sobre o investimento em mídia.
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