Uma bailarina com uma xícara de cappuccino na cabeça, um tubarão de tênis e, por fim, um bombardeiro com cabeça de crocodilo. Se você já esbarrou com essas criaturas por aí, está diante do Italian brain rot, um universo de personagens gerados por IA que acumulou mais de 450 mil uploads no YouTube em 20251.
Mas essas imagens dizem mais do que parecem. Elas são a expressão de uma nova estética que está redesenhando a cultura online: o maximalismo criativo. Um estilo marcado pela complexidade visual, por referências de nicho, pela criação coletiva e por influências culturais que cruzam fronteiras — muitas vezes ao mesmo tempo.
Essa estética é a marca da geração mais nova, que cresceu em ambientes digitais sem fronteiras, customizáveis e participativos. Uma geração que não apenas consome conteúdo, mas o produz e o distribui.
Para entender essa mudança, a equipe de Cultura e Tendências do YouTube pesquisou centenas de tendências globais e locais e ouviu milhares de pessoas entre 14 e 49 anos no Brasil.
Confira os principais insights.
Uma geração que consome e também cria
Para entender o maximalismo criativo, é preciso mergulhar no comportamento de quem vive e replica essa estética diariamente.
Essa geração mais jovem cresceu em um ambiente de mídia sem precedentes: sem fronteiras geográficas, totalmente customizável e, acima de tudo, participativo. O YouTube faz parte disso: os adolescentes de hoje são a primeira geração a não conhecer um mundo sem ele.
Estamos diante, portanto, de uma geração que se relaciona com conteúdo de um jeito fundamentalmente diferente.
No Brasil, 65% dos jovens entre 14 e 24 anos dizem se sentir mais empolgados para ver novos vídeos de criadores do que novos programas de TV ou filmes2, e menos de um terço sente que a mídia tradicional retrata bem o mundo em que vivem3.
Essa lacuna foi preenchida por eles mesmos. São jovens que aprenderam gírias com memes, desenvolveram seu senso de humor pela internet e adquiriram hábitos de criadores online.
Mas, afinal, o que é o maximalismo criativo?
A estética conta com padrões que podem ser observados segundo 4 pilares norteadores, descritos abaixo.
1. Complexidade audiovisual
Os vídeos que atraem esse público apresentam riqueza de informações, iconografia, pistas visuais e edição em ritmo acelerado, muitas vezes com múltiplos contextos acontecendo numa mesma tela.
Um exemplo é “Skibidi Toilet": criada por Alexey Gerasimov, a série acompanha uma guerra entre privadas com cabeças humanas e personagens humanoides com dispositivos eletrônicos no lugar do rosto. Com escala impressionante, o fenômeno gerou mais de 4 milhões de uploads no YouTube.
2. Cocriação narrativa
Os papéis de criador e espectadores estão cada vez mais interligados. Na estética do maximalismo criativo, o entretenimento é construído coletivamente pelo público. Isso significa um universo repleto de personagens e histórias expandidas pelos próprios fãs por meio de fanart, remixes e fan-lore.
A adaptação musical “EPIC: The Musical”, de Jorge Rivera-Herrans, ilustra isso: baseado no poema grego Odisseia, de Homero, o projeto alcançou mais de 115 milhões de visualizações e 50 mil uploads relacionados, em grande parte impulsionado pela própria comunidade de fãs.
Esse envolvimento também acontece no Brasil: 36% dos jovens entre 14 e 24 anos já contribuíram para algum projeto de criador nos últimos 12 meses4.
3. Referencial à internet
Nenhuma piada está ali à toa: quando assistimos a vídeos dirigidos para uma audiência mais jovem, dá para perceber camadas de piadas internas, referências e memes originários de subcomunidades de nicho online. É o que distingue quem está por dentro de quem está por fora – pais de adolescentes vão entender muito bem essa sensação.
O universo de vídeos de Cat Memes ajuda a entender melhor esse ponto. Rir de memes de gatinhos fofos e brincalhões (ou até mesmo terrivelmente mal humorados, como Grumpy Cat) depende da familiaridade do espectador com o elenco de personagens.
O fenômeno “Spinning Cat” surgiu daí para se tornar tema de uma música que alcançou a posição 11 nas paradas globais do YouTube.
4. Influência global
Existe também uma influência muito forte de referências globais, para além do que é nativo ou local. A geração atual cresceu com acesso total a conteúdos do mundo inteiro, sem a barreira idiomática. Existem diversos fenômenos globais que confirmam isso: “Le Poisson Steve”, animação lo-fi francesa de um peixe dançante, acumulou mais de 90 milhões de visualizações em 2025. Já o gênero Phonk Brasileiro tem raízes rastreáveis desde o hip-hop do sul dos EUA até a dance music do Leste Europeu, antes de ser remixado no Brasil.
Refinando a estratégia
O maximalismo criativo é um sinal – ou tendência – que vale a pena ter no radar para criar estratégias focadas em públicos e audiências mais jovens. Nossas pesquisas apontaram cinco direções práticas para quem quer se manter relevante.
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Abrace o mundo digital-first
O mundo dos jovens é digital: seu entretenimento, sua expressão e seus relacionamentos são mediados por dispositivos e redes. Alcançá-los exige abordagens ancoradas nesse contexto.
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Entenda a nova linguagem universal
A linguagem da internet é fluente para essa geração e deriva de uma vida inteira de criação, conexão e construção de identidade online. Adotá-la de forma eficaz demanda uma compreensão profunda da cultura que a sustenta. Mergulhe nesse universo!
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Seja você também um “maximalista”
Essa geração cresceu processando muita informação e estímulos ao mesmo tempo. Isso cria oportunidade para considerar novos formatos para transmitir mensagens, indo além do convencional.
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Abra espaço para a cocriação
Os jovens desejam e esperam ser colaboradores dos conteúdos a que assistem. Eles expandem a relevância das narrativas ao colocá-las em contato com o que é interessante para eles e para suas comunidades.
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Lembre que algumas coisas não mudam
Por mais diferente que tudo isso pareça, os jovens continuam motivados pelas mesmas coisas de sempre: formar suas próprias identidades, construir suas próprias comunidades e ver o mundo que vivenciam refletido no conteúdo que consomem
Para ter acesso ao relatório completo que o time de Cultura e Tendências do YouTube preparou, basta clicar aqui.
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