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O que diferencia as marcas de educação aos olhos dos alunos?

Natalia Frigo, Lyu Tsukada

Social Module

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Homem de cabelo castanho curto, vestindo camiseta verde, usa o notebook em uma biblioteca. Ícones que acompanham a imagem: formatura, pesquisa, computador e trabalho.

Segundo o Censo Educacional de 2024, do INEP, 4.4 milhões de brasileiros se matricularam em uma instituição de ensino superior privada em 2024, um aumento de 0,2% em relação ao ano anterior. Após anos de crescimento intenso, o que se desenha para o futuro é um cenário de estabilização – e o desafio é enfrentá-lo.

O fato é que cursar o ensino superior tem seus obstáculos, que já conhecemos: impossibilidade de priorização dentro do orçamento, especialmente considerando gastos fixos como alimentação e moradia; dificuldade de conciliar o estudo com o trabalho; e formatos mais alinhados às necessidades do público, especialmente considerando os mais jovens1.

Essa última barreira nos mostra que, além de questões estruturais, o setor vem enfrentando novos desafios relacionados tanto à necessidade de evolução e atualização quanto a uma era de comoditização de ofertas.

Cerca de 52% dos brasileiros acreditam que estudar é necessário, mas o modelo atual está ultrapassado; para 54%, é preferível apostar em vários cursos diferentes em vez de uma única graduação. E, de forma geral, 74% não acreditam existir um único caminho para o sucesso no futuro2.

Nesse ambiente de hiperoferta e baixa diferenciação, as instituições de ensino superior (IES) passaram a competir cada vez mais com base no preço.

Por isso, o desafio das instituições é reposicionar sua proposta de valor, se realinhando às necessidades dos jovens, e criar uma conexão real com os estudantes.

O que os alunos realmente valorizam

Quando perguntados sobre o que mais valorizam em uma “profissão do futuro”, os jovens apontam um conjunto de expectativas que combina autonomia, realização pessoal e retorno econômico.

Os principais fatores mencionados são flexibilidade e trabalho remoto (35%), remuneração acima da média (30%), possibilidade de trabalhar com tecnologia (29%) e segurança na carreira no longo prazo (26%)3.

Outros atributos reforçam essa visão mais ampla de futuro profissional. Liberdade para empreender (25%), trabalhar com criatividade (25%) e gerar impacto social (23%) aparecem como elementos relevantes na escolha, indicando que a decisão não se limita à estabilidade financeira, mas envolve propósito, expressão individual e alinhamento com valores pessoais4.

Vale ressaltar que essas preferências variam conforme a fase da vida.

Entre os mais jovens, até 16 anos, ganham destaque tecnologia, criatividade e impacto social. Já na faixa de 16 a 20 anos, surgem com mais força a liberdade de empreender e a segurança no longo prazo. Entre adultos de 21 a 35 anos, a ênfase recai sobre flexibilidade, remuneração e atuação em áreas tecnológicas5.

Expectativas versus habilidades

As escolhas e aspirações dos alunos se refletem diretamente nas habilidades que eles consideram mais importantes desenvolver.

Entre os estudantes, ganham protagonismo competências como capacidade de inovação, aprendizado rápido, inteligência emocional, pensamento criativo e agilidade6.

Para eles, portanto, estar preparado para o futuro significa aprender a evoluir, lidar com mudanças frequentes e construir trajetórias profissionais mais flexíveis, alinhadas a seus interesses e valores.

Quando observamos a perspectiva do mercado, porém, surgem pontos de convergência e divergência que merecem atenção.

Empresas tendem a valorizar com mais intensidade habilidades como pensamento analítico, resiliência e flexibilidade, liderança, alfabetização tecnológica e capacidade de influência7.

Eis, portanto, um dos maiores desafios do setor educacional em relação às novas gerações: conectar as expectativas dos alunos com as demandas concretas do mercado de trabalho, integrando os dois universos de modo a gerar valor econômico, social e humano ao longo do tempo.

O caminho até a faculdade

A jornada do estudante começa pela escolha da área de atuação. Em seguida, afunila-se para a opção de curso; por fim, tem início a etapa de decisão pela instituição de ensino.

Na busca pela universidade ou faculdade, o Google é um parceiro fundamental: 71% das jornadas passam por buscas na plataforma. A abrangência de resultados, o que ajuda nas comparações, e a rapidez são os principais motivos que incentivam o uso do motor de buscas8.

O YouTube, por sua vez, traz embasamento e inspiração para essa jornada. Cerca de 60% do público interessado em fazer uma graduação assiste a vídeos diariamente, e 61% já fizeram algum curso pela plataforma – nessa jornada até a instituição, o YouTube é útil por reunir opiniões de especialistas, aprofundamento em informações e conteúdos e inspiração para novas escolhas9.

Essa busca mais intensa por informação, em múltiplas fontes, reflete um estudante cada vez mais proficiente e consciente. A consequência é que os candidatos tendem a avaliar um número menor de instituições e a se inscrever em menos marcas ao longo do processo seletivo.

Dados do Educa Insights mostram que, em média, os candidatos pesquisam cerca de três instituições, mas se inscrevem em apenas duas, o que torna a disputa por atenção e preferência mais concentrada e competitiva ao longo da jornada10.

Por isso, é fundamental que as instituições de ensino procurem se destacar desde as etapas iniciais, oferecendo informações e diferenciais bem definidos em todos os pontos de contato da jornada.

Descomoditizar e se conectar: a nova estratégia

Para as marcas de educação, diferenciar-se em um cenário competitivo passa por destacar atributos que vão além do preço, reforçando o valor da experiência de aprender.

Identificamos sete frentes estratégicas que podem orientar esse movimento:

  1. Reposicionar o ensino como um projeto de desenvolvimento pessoal e profissional, não apenas como um produto de consumo.
  2. Fortalecer a presença em cursos de alto valor percebido, como Medicina, Direito e Engenharia, que têm forte associação com prestígio e empregabilidade.
  3. Atuar com relevância regional, adaptando comunicação e ofertas às necessidades e particularidades de cada praça.
  4. Aproveitar momentos de alta intenção, como ENEM, SISU, PROUNI e FIES, para reforçar presença de marca e capturar demanda.
  5. Criar novas oportunidades ao longo do ano, explorando períodos de rematrícula, divulgação de resultados e início de novos ciclos acadêmicos.
  6. Manter consistência de marca, priorizando mensagens que comuniquem valor de forma contínua.
  7. Marcar presença em toda a jornada do estudante, mesmo nos momentos em que a decisão por um curso de ensino superior ainda não foi tomada. Esse cuidado ajuda a estabelecer vínculos e reforçar o posicionamento de marca no momento da tomada de decisão.

O papel da Inteligência Artificial

A chegada da inteligência artificial marca uma nova fase para o marketing educacional.

A tecnologia amplia a capacidade das instituições de entender o comportamento dos alunos, antecipar necessidades e personalizar a comunicação em um contexto altamente competitivo.

Ao combinar o olhar humano à capacidade analítica da IA, as instituições conseguem transformar dados dispersos em decisões mais estratégicas e responder a questões essenciais como:

“Quais barreiras impedem o aluno de iniciar ou concluir a graduação?”

“Quais atributos de valor mais influenciam sua escolha?”

“Como podemos construir relacionamento após a matrícula?”

Essas perguntas orientam o uso da tecnologia para criar mensagens mais contextualizadas e relevantes em cada etapa da jornada.

Ferramentas e soluções do Google, como DV360, Performance Max, Demand Gen e o YouTube ajudam a operacionalizar essa estratégia, permitindo:

  • Unificar canais de mídia (YouTube, TV conectada, Digital Out of Home, entre outros canais), ampliando alcance e evitando sobreposição;
  • Atuar em todas as etapas do funil, da descoberta à conversão, de forma automatizada.

Ao integrar soluções com IA, dados e consistência criativa, as marcas de educação podem aumentar performance, reduzir dispersão e fortalecer o valor de marca em longo prazo.

Para 2026 e além

O setor de educação vive um momento decisivo. Com um mercado cada vez mais competitivo, as instituições têm diante de si a oportunidade de reposicionar o diálogo com os futuros alunos.

Isso significa apostar em estratégias que vão além do preço, para construir valor e diferenciação, compartilhando uma visão de futuro com os jovens estudantes.

As marcas que conseguirem integrar estratégia, dados, criatividade e inteligência artificial estarão mais preparadas para gerar impacto verdadeiro, tanto em resultados de negócio quanto em percepção de marca.

nat frigo

Natalia Frigo

Head of Industry, Education

Google

lyu

Lyu Tsukada

Research and Insights Manager

Fontes (2)

1, 3, 4, 5, 6, 8, 9, 10 Google/Educa Insights, Análise do Mercado Educacional, BR, Jun-Jul 2024, n=2000.

7 World Economic Forum, Future of Jobs Survey 2024.

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